Hepatite C

07-01-2011 15:03

O que é uma Hepatite C ?

É uma inflamação do fígado provocada por um vírus, que pode levar a casos de falência hepática, cirrose e cancro. Durante vários anos foi conhecida sob a designação de hepatite não-A e não-B, até ser identificado, em 1989, o agente infeccioso que a provoca e se transmite, sobretudo, por via sanguínea. É conhecida como a epidemia «silenciosa» pela forma como tem aumentado o número de portadores crónicos em todo o mundo e pelo facto de os infectados poderem não apresentar qualquer sintoma, durante 10, 20, 30 ou 40 anos.

No mundo ocidental, os toxicodependentes de drogas injectáveis e inaláveis e as pessoas que foram sujeitas a transfusões de sangue e a cirurgias, antes de 1992, são os principais atingidos. Com a descoberta da Sida, na década de 80 do século passado, foram tomadas novas medidas de protecção e hoje a possibilidade de contágio com o VHC, numa transfusão de sangue ou durante uma intervenção cirúrgica nos hospitais, é praticamente nula.

Em Portugal, onde a hepatite C é uma das principais causas da cirrose e do carcinoma hepatocelular (cancro do fígado), estima-se que existam 150 mil portadores, embora grande parte não esteja diagnosticada.
Entre estes portadores destacam-se os ex-combatentes do Ultramar, quem foi operado ou transfusionado antes de 1992, quem fez abortos, quem fez piercings e tatuagens.
Cerca de 20 por cento dos infectados com o VHC recuperam espontaneamente, mas mais de 80 por cento passam a sofrer de hepatite crónica, sem que muitas vezes os portadores se apercebam e, em 20 por cento dos casos, pode dar origem a uma cirrose ou a cancro no fígado. O consumo do álcool para quem é portador do vírus da Hepatite C é extremamente prejudicial pois acelera e muito a progressão dos danos hepáticos.

 A hepatite C é perigosa pois, em 80% dos casos, torna-se crónica, podendo evoluir para uma provável cirrose ou cancro no fígado. O período de evolução da doença é estimado em 20 a 40 anos, sendo que cada organismo reage diferentemente. Este prazo depende também dos cuidados e do modo de vida do paciente.

Conselhos aos portadores: Procure um médico especializado em hepatite C ( Gastrenterologista, hepatologista ou infecciologista ). Continue com a sua rotina diária durante o tratamento. Leia tudo o que puder sobre a doença. Mantenha uma atitude positiva. Frequente grupos de apoio: você precisa saber que não está sozinho nesta luta!
 

Formas de contágio da Hepatite C

O vírus da hepatite C pode ser transmitido comprovadamente pelo sangue de uma pessoa infectada ao entrar em contacto com o sangue de uma outra não infectada.
Pela partilha de agulhas, seringas e material utilizado na preparação de drogas e que esteja infectado;
Pelas tatuagens, "piercings", acupunctura, perfuração das orelhas realizadas com material não esterilizado;
Pela partilha de objectos de uso pessoal: escovas de dentes ou lâminas de barbear, tesouras e alicates de unha contaminados;
Através das transfusões de sangue ou transplante de órgãos realizados antes de 1992, pois não se dispunha de testes para o diagnóstico.

A transmissão da mãe para o filho através da gravidez é possível, embora pouco frequente, ao contrário do que se passa na hepatite B. O mesmo se verifica em relação à transmissão sexual.
A hepatite C não se transmite pela convivência social, apertos de mão, abraços, beijos, utilização de pratos ou talheres de pessoas infectadas. A probabilidade de transmissão por via sexual é mínima e só ocorre se houver contacto de sangue durante o acto sexual.

 

Como prevenir a Hepatite C

Não partilhar objectos de uso pessoal cortantes ou perfurantes; (escovas de dentes, corta unha, alicates das unhas, giletes)
Usar luvas quando se entra em contacto com sangue ou objectos com sangue;
O uso de preservativos reduz o risco de transmissão sexual;
Vacina: não existe vacina contra o vírus da hepatite C.

 Tratamento da Hepatite C crónica

A Hepatite C crónica pode ter cura. Essa cura está entretanto condicionada por diversos factores, como o genótipo do vírus e também o estado do dano hepático quando a doença é detectada.

O tratamento considerado standard pela comunidade científica internacional actualmente consiste na combinação do interferão peguilado (uma injecção semanal) combinado com a ingestão diária de comprimidos de Ribavirina ( a quantidade varia de acordo com o peso do paciente ). Esse tratamento tem uma taxa de sucesso na ordem de 60% em média, variando para cima ou para baixo consoante o genótipo do vírus. Os genótipos 2 e 3 respondem melhor ao tratamento , enquanto os genótipos 1 e 4 alcançam um índice menor de cura.

Esse tratamento deve ser muito bem acompanhado por um médico especialista pois pode apresentar efeitos secundários graves em alguns casos. Mesmo antes de prescrever o tratamento os médicos deverão certificar-se de que não há nenhuma contra-indicação relativa ao paciente. Entretanto uma boa parte das pessoas suporta bem a fase de tratamento que actualmente pode durar de 6 a 12 meses.

Consulte sempre um especialista ! : Gastrenterologista, hepatologista ou infecciologista ! Para além disso associe-se , faça parte de um Grupo de Apoio e não tenha receio de nos enviar as suas dúvidas !

 Os números da Hepatite C

Calcula-se que existam 170 milhões de portadores crónicos (cerca de três por cento da população mundial), dos quais nove milhões são europeus, o que transforma o VHC num vírus mais comum que o VIH, responsável pela Sida.

Segundo a Organização Mundial de Saúde, é possível que surjam todos os anos três a quatro milhões de novos casos no planeta. A incidência do vírus difere de zona para zona, enquanto a Europa e a América do Norte apresentam índices de contaminação na ordem dos dois por cento, em África, no sudeste asiático, no pacífico ocidental e no leste do mediterrâneo os valores são superiores.

A Hepatite C é hoje a principal causa de transplantes hepáticos no mundo e para cada novo caso de SIDA que aparece, aparecem cinco novos casos de Hepatite C.

Em Portugal, onde a hepatite C é uma das principais causas da cirrose e do carcinoma hepatocelular, estima-se que existam 150 mil portadores, embora somente cerca de 10.000 estejam diagnosticados.

De acordo com um estudo do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, Portugal é um dos países europeus a apresentar as mais elevadas taxas de contaminação deste vírus, que atinge 60 a 80 por cento dos toxicodependentes.

 

Fonte: http://www.soshepatites.org.pt

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