Dor durante as relações (Dispareunia)

Ao contrário do que se poderá pensar, é uma queixa muito frequente, embora poucas mulheres estejam à vontade para o dizerem aos seus médicos e mesmo parceiros sexuais, pensando-se que cerca de 60% de todas as mulheres tiveram alguma vez este sintoma e perto de 30% o têm com certa frequência. Devem-se considerar duas situações: Dôr sobretudo à penetração inicial, e dor sobretudo na penetração profunda.

 

Dor à penetração inicial

As principais causas têm a ver com:
   - Lubrificação inadequada
   - Inflamação crónica da vagina
   - Hímen incompletamente perfurado
   - Quisto ou inflamação das glândulas de Bartholin
   - Aperto anormal ou atrofia da vagina
   - Cicatriz pós-parto
   - Nevralgia
   - Antecedentes psicológicos traumatizantes
   - Vaginismo 

    Lubrificação inadequada

Pode ser originada por defeito de produção dos fluidos lubrificantes normais da vagina, situação que é frequente nas mulheres após a menopausa, ou que é devida a uma deficiente estimulação e excitação sexual.
Pode ser ultrapassada com uma adequada fase de excitação sexual por parte de mulher, bem como com a aplicação local de lubrificantes. Estes devem ser à base de gel de água e não conter derivados do petróleo, como é o caso da vaselina e dos óleos, uma vez que estes não só podem causar irritações locais com mai s facilidade, como também danificam o látex dos preservativos, causando frequentes rompimentos.
Nas mulheres com atrofia vaginal e diminuição das secreções, também se utilizam com bastante sucesso cremes contendo hormonas ou mesmo o tratamento hormonal de substituição.
 

    Inflamação crónica da vagina

As infecções da vagina (por fungos, thricomonas, ou outros), sobretudo se forem repetidas, bem como a introdução de alguns potenciais irritantes como tampões, desinfectantes, espermicidas ou "brinquedos" sexuais podem causar uma diminuição da resistência das paredes vaginais e levar a que haja dores durante as relações, sobretudo na altura da penetração. Este sintoma pode persistir mesmo depois de passada a situação desencadeante uma vez que a vagina demora algum tempo a regenerar. Poderá ser necessário fazer abstinência sexual durante alguns tempos de modo a deixar recuperar totalmente a mucosa. Para além disso, se houver infecção, é necessário fazer o tratamento simultâneo do parceiro sexual.
Para além da eliminação das causas da inflamação, podem-se utilizar cremes que aceleram a regeneração do revestimento vaginal.
 

    Himen incompletamente perfurado

Neste caso, que se verifica necessariamente nas mulheres virgens ou com início da actividade sexual muito recente, o que acontece é que o hímen, membrana que tapa parcialmente a entrada da vagina até se darem as primeiras relações sexuais com penetração, pode ser anormalmente espesso ou sensível. Nesses casos pode ser difícil a penetração, mesmo parcial, do pénis, uma vez que desencadeia de imediato dor e uma reacção de defesa por parte da mulher. Se não se conseguir resolver por meio de uma excitação sexual adequada da mulher, e com a ajuda de lubrificantes, poder-se-á recorrer ao ginecologista a fim de fazer o rompime nto cirúrgico do hímen. Trata-se de uma intervenção simples e rápida, feita no consultório e com uma anestesia local.
 

    Quisto ou inflamação das glândulas de Bartholin

São glândulas que se localizam perto da entrada da vagina e de cada lado (ver Os Órgãos Sexuais). Por vezes, podem "entupir" devido a uma infecção ou simples inflamação, tornando-se muito dolorosas. As relações sexuais tornam-se muito difíceis ou mesmo impossíveis. O tratamento com banhos quentes, anti-inflamatórios e/ou antibióticos pode resolver a situação, mas por vezes há tendência para a repetição das crises, o que acaba por ter de levar à abertura cirúrgica das glândulas.
 

    Aperto anormal ou atrofia da vagina

Nestes casos existem anomalias adquiridas ou congénitas na estrutura anatómica da vagina. Pode-se tentar a resolução do problema por dilatações com aparelhos próprios, ou mediante cirurgia correctiva.
 

    Cicatriz pós-parto

Muitas vezes, durante o parto, é necessário fazer o corte lateral da zona dos grandes lábios e vagina de modo a deixar passar o bebé (episiotomia). Essa lesão é suturada logo a seguir, mas podem haver problemas de cicatrização ou infecção que levem a uma consolidação incorrecta ou deformada da ferida, resultando uma entrada vaginal demasiado apertada. A correcção do problema é feita mediante uma pequena cirurgia.
 

    Nevralgia

Existe uma hipersensibilidade na zona vaginal, muitas vezes acompanhada de ardor ou sensação de queimadura. Há nestes casos uma inflamação do nervo pudendo que pode tratar-se com medicação local e geral anti-nevrítica.
 

    Antecedentes psicológicos traumatizantes

Podem haver receios relativos à actividade sexual, muitas vezes motivados por situações traumatizantes como violação ou outra forma de abuso sexual. Também certos conceitos morais ou religiosos podem condicionar a melhor ou pior aceitação do acto sexual.
Outro ponto a ter em atenção é o grau de aceitação e confiança com o parceiro sexual. As dores podem esconder um sentimento de recusa, situação que deve sempre ser pesquisada com o devido tacto.
Embora o tempo e aquisição de confiança mútua sejam o melhor remédio para estes casos, poderá ser necessário o apoio de um psicólogo ou psiquiatra especializados.
 

    Vaginismo

Consiste na contracção involuntária dos músculos da vagina, que por sua vez vai dificultar ou mesmo impedir a penetração. Essa contracção é geralmente de origem psicológica e está intimamente ligada aos factores falados anteriormente. O receio de ir ter dores, como muitas vezes acontece na sequência de uma inflamação ou lesão genital, pode também desencadear esse reflexo.
Para além do apoio psicológico e de um bom relacionamento com o parceiro sexual, deve haver cuidado em se fazer uma fase de excitação sexual prolongada, aumentando o grau de lubrificação natural e fazendo com que o desejo sexual se sobreponha a eventuais conflitos psicológicos. Por outro lado, o uso de lubrificantes hidrossolúveis e a experimentação de posições em que a mulher se sinta mais à vontade, também ajudam bastante. Muitas vezes, a posição em que a mulher fica sentada sobre o homem é bastante eficaz uma vez que permite um melhor controlo do grau de introdução do pénis e do ritmo dos movimentos. Pode ainda ser útil toma de um ansiolítico ligeiro 1 hora antes das relações.
Os exercícios de Kegel são também de bastante utilidade na resolução do vaginismo: Consistem esses exercícios em fazer a contracção dos mesmos músculos que se contraem quando tentamos rete r a urina ou as fezes. Essa contracção provoca uma subida dos músculos situados na base da pélvis. Inicialmente deve-se fazer uma contracção durante cerca de 5 segundos, relaxar, e repetir dez vezes. Estas sessões, por sua vez, devem-se repetir 4 ou cinco vezes ao dia. Progressivamente devem-se ir aumentado os exercícios em frequência e número de contracções por sessão.

 

Dor na penetração profunda

Nestes casos existe normalmente uma associação a inflamações da zona da cavidade abdominal ou pélvica. É o que acontece nos seguintes casos:
   - Quistos dos ovários
   - Doença inflamatória pélvica
   - Endometriose
   - Prolapso uterino 

    Quistos dos ovários

Normalmente há uma inflamação e aumento de volume dos ovários, o que vai fazer com que os movimentos do pénis, ao mobilizar as zonas mais profundas da pélvis, desencadeiem dor.
 

    Doença inflamatória pélvica

Na sequência de determinadas doenças, nomeadamente doenças sexualmente transmissíveis, pode-se instalar uma inflamação crónica a nível das estruturas internas situadas na zona da bacia e pélvis. Os movimentos de pressão profunda desencadeados pelo pénis, vão provocar dores.
 

    Endometriose

Esta situação consiste na existência anormal de tecido de revestimento uterino (endométrio) noutras zonas do organismo feminino, entre as quais as estruturas de revestimento dos órgãos internos da bacia e pélvis. Aparece em cerca de 1 a 5% das mul heres em idade fértil. Isso vai fazer que esse tecido se inflame regularmente, sobretudo quando sujeito às hormonas que regulam a menstruação e que também ali vão exercer o seu efeito. A dor aparece assim, classicamente, alguns dias ou mesmo uma semana antes das menstruações.
Essa inflamação causa dores e sensibilidade aumentada das estruturas em que assenta, como por exemplo as trompas, ovários, intestinos, bexiga, etc.
Mais uma vez, os movimentos do coito vão desencadear dores ao deslocar aquelas zonas.
 

    Prolapso uterino

Neste caso, os ligamentos que suspendem o útero dentro da cavidade pélvica encontram-se demasiado distendidos ou afrouxados, pelo que há tendência para o útero descair pela acção da gravidade. Isso faz com que, ao ter relações, haja um maior traumatismo do útero, ao empurrá-lo para cima, ao mesmo tempo que a sua excessiva mobilização (balanceado) acaba por causar também dores.

 

Fonte: http://www.sexualidades.com