Dores Pélvicas

As dores pélvicas são uma situação frequente. Caracterizam-se por dores na região baixa do abdómen, que podem por vezes irradiar para outras zonas. As dores podem ser mais ou menos intensas.
Por uma questão de facilidade, classificam-se as dores em agudas e recorrentes (repetidas).

 

Dor aguda

Pode ser muitas vezes sinal de uma situação grave, devendo-se pensar em:

    Doença inflamatória pélvica

Aparece na maioria das vezes na sequência de uma infecção transmitida sexualmente, que pode ter sido contraída semana ou até meses antes dos sintomas aparecerem. Os agentes envolvidos são geralmente os causadores da gonorreia, Chlamydia, ou outras infecções mistas.
Quando a infecção se dissemina até às zonas das trompas, começam os sintomas de dores abdominais, eventualmente febre, mal estar, e dor à palpação. Pode haver corrimento vaginal purulento.
O tratamento faz-se com antibióticos adequados aos agentes infecciosos envolvidos.
Em cerca de 25% dos casos vão haver infecções pélvicas de repetição, que por sua vez aumentam bastante a possibilidades de gravidez ectópica (5 a 10 vezes) e de infertilidade (uma infecção causa um risco de infertilidade de 12%, duas de 35% e três de 75%).
 

    Gravidez ectópica

Consiste na implantação do óvulo fecundad o (ovo) numa das trompas em vez de o fazer no útero, como acontece numa gravidez normal.
Muitas vezes isto é devido a obstruções existentes nas trompas que impedem a progressão normal do ovo que ao crescer acaba a certa altura por romper a trompa.
Normalmente há uma ou duas semanas de atraso menstrual, altura em que começa a aparecer uma hemorragia ligeira mas repetida. A dor aparece geralmente apenas num dos lados (o da trompa em causa) e é geralmente intensa, e mais forte ainda se acompanhada de uma hemorragia interna grave, o que leva a uma quebra da tensão e a uma situação de perigo de vida.
O tratamento é cirúrgico. Nas mulheres com antecedentes de doença inflamatória pélvica, tratamento com indutores da ovulação, ou cirurgia anterior das trompas, o risco de gravidez ectópica é maior.
 

    Torção da trompa

Sendo a trompa um tubo fixo ao útero e aberto na outra extremidade, junto ao ovário, pode torcer a estrangular a sua circulação. Isso vai causar dores mais ou menos intensas, dependendo do grau da torção. O abdómen distende-se e à ecografia nota-se uma massa no local lesionado.
O tratamento é por cirurgia.
 

    Quisto dos ovários

Muitas vezes esta situação está associada com a torção da trompa. Mas pode haver rompimento espontâneo do quisto com hemorragia geralmente em pequena quantidade e dores persistentes, embora por vezes a hemorragia seja intensa causando uma situação grave com dores agudas.
O tratamento é cirúrgico.

 

Dores recorrentes (de repetição)

    Quistos ovári cos

A não ser que haja torção ou rompimento, como que foi visto anteriormente, os quistos são geralmente indolores, a não ser que haja derrame do líquido irritativo do seu interior. Nesse caso as dores são ligeiras mas repetem-se ao longo do tempo.
No caso de haver grande incómodo ou do quisto tender a aumentar, o que pode ser controlado por ecografia, a cirurgia deve ser encarada.
 

    Dor intermenstrual ou "Mittelschmerz"

É uma dor que aparece no meio do ciclo, na altura da ovulação e que corresponde à distensão da zona onde o óvulo se liberta do ovário. Não é grave, mas pode ser incomodativa.
 

    Dores não ginecológicas

As dores pélvicas também podem ser originadas por diversas situações que nada têm a ver com o aparelho genital, mas que devem ser consideradas, como por exemplo cólicas intestinais, doenças inflamatórias crónicas dos intestinos, cancros abdominais ou mesmo dores de origem psicológica que são aquelas em que não se consegue descobrir nenhuma causa orgânica, embora haja um certo grau de associação com retroversão do útero, ou com história de abuso sexual.

 

Fonte: http://www.sexualidades.com